Olhe só, seu moço,
a história que vou contar:
como jagunço, busquei
a justiça realizar,
não sabia que o destino
uma peça ia me pregar.
O amor foi me encontrar
no amigo Diadorim,
mais que grande guerreiro
era o espelho de mim.
Foi invasão a paixão
que de mim se apoderou.
Querendo negar esta febre,
mais febril, ela me deixou.
E vi em Diadorim
a mulher que queria pra mim:
dedos finos, traços doces,
mas sorriso de Arlequim.
E, por fim, eu fui vencido
pela vida traiçoeira:
mataram Diadorim,
não O, mas A guerreira.
Termino esta história, seu moço,
com o pesar do meu preconceito:
tivesse desatrelado o amor,
teria eu amado direito.
Mas fica a lição do sertão
de ser tão belicoso:
vedando o coração,
“viver é perigoso!”.
Amiga FÁTIMA:
Muito importante!
Resgatar Guimarães Rosa é oportunizar aos jovens a maravilha de se interessar e conhecer a obra deste Mestre da Literatura brasileira.
Bem lembrado.
Obrigado
O poema é um primor!
Oxalá desperte o interesse em conhecer a obra de GUIMARÃES ROSA…
Que lindo! ! Que completo! Quem nao conhece a história vai querer ler.. mas quem nao conhece também vai entender.
Gostei demais… nesses tempos de diferença. .. quanta mestria nesta poesia! Beijos
Eu amo este recorte da obra! É tão sublime e triste. Me remete a tantos pré-conceitos que temos, deixando passar as belas oportunidades que temos! Guimarães, sempre atingindo em cheio nossos corações!
Ele diz tantas coisas
Pra tantos de nós
Que só ele sabe dizer
Pra todos entender!