VEREDAS

Olhe só, seu moço,

a história que vou contar:

como jagunço, busquei

a justiça realizar,

não sabia que o destino

uma peça ia me pregar.

 

O amor foi me encontrar

no amigo Diadorim,

mais que grande guerreiro

era o espelho de mim.

 

Foi invasão a paixão

que de mim se apoderou.

Querendo negar esta febre,

mais febril, ela me deixou.

 

E vi em Diadorim

a mulher que queria pra mim:

dedos finos, traços doces,

mas sorriso de Arlequim.

 

E, por fim, eu fui vencido

pela vida traiçoeira:

mataram Diadorim,

não O, mas A guerreira.

 

Termino esta história, seu moço,

com o pesar do meu preconceito:

tivesse desatrelado o amor,

teria eu amado direito.

 

Mas fica a lição do sertão

de ser tão belicoso:

vedando o coração,

“viver é perigoso!”.

 

 

 

 

 

8.615 thoughts on “VEREDAS

  1. Amiga FÁTIMA:

    Muito importante!

    Resgatar Guimarães Rosa é oportunizar aos jovens a maravilha de se interessar e conhecer a obra deste Mestre da Literatura brasileira.

    Bem lembrado.

    Obrigado

    • O poema é um primor!
      Oxalá desperte o interesse em conhecer a obra de GUIMARÃES ROSA…

  2. Que lindo! ! Que completo! Quem nao conhece a história vai querer ler.. mas quem nao conhece também vai entender.
    Gostei demais… nesses tempos de diferença. .. quanta mestria nesta poesia! Beijos

  3. Eu amo este recorte da obra! É tão sublime e triste. Me remete a tantos pré-conceitos que temos, deixando passar as belas oportunidades que temos! Guimarães, sempre atingindo em cheio nossos corações!

  4. Ele diz tantas coisas
    Pra tantos de nós
    Que só ele sabe dizer
    Pra todos entender!

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