Mãe negra escrava

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Escurece todos os dias na senzala.

A mulher negra exibe com temor

o ventre não livre e o horror

à luz de mais um dia se exala…

 

É o tempo que subtrai a liberdade

que inibe a arbitrariedade.

O escuro passa a ser tão importante:

sinônimo de proteção naquele instante.

 

Nascer para o mundo

é morrer para a família

é pertencer a “outro dono”

é ver a paz ser consumida.

 

E ela sofre ao imaginar que aquele filho

gerado com amor no ventre-abrigo

escuro como a pele, mas seguro

partirá, um dia, sem saber seu rumo.

 

E, embora negra e escrava, é mãe e sente

As mesmas dores da mãe branca-dona

que quer o filho forte, livre e presente

ciente de que a mãe nunca o abandona!

9 thoughts on “Mãe negra escrava

  1. Essas mães que viraram séculos de vergonha para o Brasil e o mundo. Consideradas nada, porque “coisas”, sua poesia Fatinha, homenageia a todas, por todos nós!
    Linda, meiga e muito reflexiva. Parabéns!

  2. Bela homenagem! Pena que nossa mídia mais popular não tenha feito qualquer menção a respeito. Ainda bem que existe a mídia alternativa…. Parabéns, grande poetisa! Beijo

  3. Fátima, que coisa mais linda! Muito obrigado por cada palavra deste texto!
    Amanhã o lerei pra minha mãe negra com certeza!

  4. Sensacional, muito emocionante!
    Imaginar a dor das mães que tiveram seus filhos arrancados de seus braços é quase como cravar uma faca no peito.
    Parabéns, belíssimo texto!

  5. Parabéns Laede pela sensibilidade em suas poesias que libertam as palavras que nos sufocam o peito!

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